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Síria: Silêncio mortal: Ativistas se calam diante do desinteresse global.

As mortes na Síria  não param. A escalada de violência cresce com a corrida desesperada do regime sírio para esmagar seus opositores, que neste momento estão completamente sozinhos e com escassez de suprimentos. Na sexta, o saldo de mortos chegou a 144. Mas ninguém fala a respeito. Os ativistas estão em silêncio.


Por Saulo Valley para JIRABH (Jornalismo Internacional na Revolução Árabe)
Rio de Janeiro, 24 de JUnho de 2012 - 08h59 GMT-3

Logo após o anúncio do chefe da UNSMIS sobre a suspensão do trabalho dos Observadores na Síria em decorrência da crescente violência, um silêncio ensurdecedor tomou conta da comunidade internacional de ativistas de Direitos Humanos e ativistas políticos. Após 16 meses de confrontos intensos, saldo médio de mais de mil mortes de civis por mês e enorme desgaste físico e emocional, sem falar os mais de 500 ativistas sírios que pagaram com a vida... Nada mudou.

Bashar Al-Assad continua oprimindo, reprimindo e destruindo tudo e todos ao seu redor. Comunidade internacional cansada de confirmar as causas das mortes no país, procura os meios mais controversos possíveis, enquanto fala sobre cessar definitivamente a mortandade, cria oportunidades para que as mortandades continuem em ritmo cada vez mais acelerado e crescente. De que forma? Se limitando a declarações fortes e concedendo mais prazos ao ditador Bashar Al-Assad para cessar a violência. Pedir para o regime sírio cessar a violência de forma imediata é o mesmo que ordenar que esmague a oposição em 24 horas. Pressão esta que vem também da China, Rússia, Iran, Venezuela e Índia, dentre tantos aliados.

Na prática mais de 80% dos ativistas deixaram de falar sobre a Síria no decorrer das últimas 2 semanas. Este sinal claro de desgaste e revolta tem completa ligação com a situação crítica que as Nações Unidas têm se encontrado. Dividida entre estados pró-assad e anti-assad, a ONU parece a Síria. A maioria é contra, mas a minoria é mais forte (china, Russia, Irã, Índia, entre outros).

Um apagão de informações natural que atingiu a internet, sem que o regime sírio tenha sido diretamente responsável, apesar de ser a razão da angústia internacional que levou milhares de ativistas a se calarem mediante a tão macabra campanha política armada contra sua oposição...

A tendência é o povo sírio se fechar em sua própria guerra, aliando-se a grupos e milícias independentes e privadas


..ou se deixando massacrar como ovelhas mudas no matadouro. Um castigo lastimável.

ONU: Conselho de Direitos Humanos votará hoje sobre a crise na Síria.

Nesta Quinta, o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas inciará uma nova votação às 19h (hora de Genebra) de uma nova resolução na tentativa de dar fim aos contínuos massacres de civis na Síria, que no dia 15 deste mês completou 1 ano resultando na morte de mais de 8.000 civis.

Criança síria ferida por tiro de fuzil na perna ontem.
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 22 de Março de 2012 - 08h42min GMT-3
Atualização: 17h02min

A última resolução proposta pelos estados árabes Turquia, Arábia Saudita, Qatar e Kuwait foi aprovada com 37 votos à favor e apenas 3 contra (Rússia, China e Cuba) e 3 abstenções (Índia, Equador e Filipinas).

A UNHCR propôe resoluções que também estão aguardando votação contra outros países que engrossam a lista dos "piores violadores" de direitos humanos "do mundo". Entre eles China, Cuba, Rússia, Arábia Saudita, Venezuela, Vietnã e Zimbabwe.

Além da Síria (Situação dos Direitos Humanos na Síria (A/HRC/19/L.38)), outros governos em condições críticas e situações embaraçosas serão discutidos, entre eles:
  1. Sri Lanka -  Promover a reconciliação e responsabilização no Sri Lanka (A/HRC/19/L.2) 
  2. Mianmar - Situação dos Direitos Humanos em Mianmar (A/HRC/19/L.30)
  3. Irã -  Situação dos Direitos Humanos no Irão (A/HRC/19/L.22)
  4. Coréia do Norte -  Situação dos Direitos Humanos na Coreia do Norte (A/HRC/19/L.29)
  5. RD Congo (francês) -  Situação dos Direitos Humanos na RD Congo (francês) - (A/HRC/19/L.15)
  6. Haiti (francês) -  Situação dos Direitos Humanos no Haiti (francês) - (A/HRC/19/L.32)
  7. Israel (palestina ocupada) -  Direitos Humanos no Território Palestino Ocupado (A/HRC/19/L.34)


Leia a resolução a ser discutida nas Nações unidas sobre a Síria:  http://blog.unwatch.org/wp-content/uploads/Deteriorating-Human-Rights-Situation-in-Syria1.pdf

Últimas acontecimentos na Síria:

Fonte: CCLS - Coordenações locais da Síria

09h09 - Em Idlib duas famílias inteiras foram assassinadas por forças de segurança do regime sírio. As duas famílias, na maioria crianças e mulheres ocupavam um ônibus que transportava refugiados para um dos campos da Turquia.

Em Hama, na cidadela de Hadiq 7 tanques invadiram a região arqueológica e histórica. De acordo com a revolução síria, eles estão estacionados na área de Apameya e prestam apoio para as forças de segurança que ocuparam a cidade agora. Ainda helicópteros sírios sobrevoam e fuzilam civis por toda a Hama.

Em Homs, nas circunvizinhanças de Kalidya, bombardeios por morteiros estão fazendo muitas vítimas. Um perseguição insana a todos os habitantes da capital síria da revolução contra a opressão do regime de Al-Assad.

Em Damasco um Capitão do exército rebelde foi executado por um assassino desconhecido. Ainda outra pessoa (Ahmad Hamdan) foi morta acidentalmente durante a execussão do oficial que ocorreu no campo de refugiados de Yarmouk.

15h45

Relatório do Dia

De acordo com o Conselhos Locais de Coordenação na Síria:

"O número de mártires na Síria hoje subiu para 70, até agora."

Entre as vítimas do exército sírio e das forças de seguranças 12 crianças, 4 mulheres, um desertor, 24 civis e outros 2 morreram por não resistir as torturas que sofriam.

As mortes divididas por regiões
  • 15 mártires em Hama
  • 20 em Homs
  • 4 em Daraa
  • 2 em Lattakia
  • 2 em Aleppo
  • 2 em Damasco (subúrbios)
  • 1 em Damasco (região central)

Síria: Alawitas condenam bombardeio em Homs e massacre de vidas inocentes.

Sem que ninguém possa fazer qualquer coisa, milhares de projetis lançados por morteiros 120mm, mísseis  Khtieyeaier e Katyusha sobre os bairros de Homs, tem levado centenas de pessoas diariamente à morte. 128 pessoas morreram ontem (06-02) e os bombardeios seguiram durante toda a noite.

O que parece neblina, é uma parede de fumaça provocado pelos incessantes bombardeios.
Baba Amr paralisada à mercê do tirano Al-Assad. "Snapshot"
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 07 de Fevereiro de 2012 - 07h39min.

Informações do Exército Livre confirmaram no início da madrugada desta terça que o exército livre derrubou um caça modelo MIG da força aérea síria. Também foi confirmado um número de 40 deserções em Qudsaya, mais 40 em Idlib e há relatórios de que um posto de controle inteiro desertou e passou a atacar as forças de segurança em Qudsaya. Em Zabadani as deserções partiram das tripulações de tanques, que não puderam sair do veículo para não serem mortos, soldados rebeldes relataram que está havendo uma certa confusão, já que não conseguem identificar os tanques amigos dos inimigos.

Video: Recomendamos que assista este vídeo para ter noção da coragem destes cinegrafistas amadores e da loucura desvairada que impera na cabeça de Bashar Al-Assad. Bombardeio cego e indiscriminado em Homs.


Dificuldade de acesso à internet durante bombardeio de Baba Amr, em Homs atrapalhou o envio de notícias sobre os acontecimentos de ontem num dos bairros mais afligidos pelo regime desde o último massacre em Khalidya.

Protesto da comunidade alawita em Homs contra o bombardeio da cidade e o massacre de civis sírios pelo regime de Al-Assad.

Enquanto centenas de corpos são velados diariamente, 59 dos mais elevados membros da seita Alawite publicaram e endossaram uma declaração que condenava as ações violentas do regime sírio. A declaração refletia a oposição de intelectuais, ativistas e cidadãos alawitas que habitam na província de Homs. O documento publicado em 05 de Fevereiro em condenação "aos massacres cometidos por Bashar Al-Assad" em particular, a comunidade condenou veemente "o bombardeio de nossa cidade...onde foram martirizados centenas e mais centenas de feridos, incluindo mulheres e crianças". 

Os Alawitas saíram em defesa dos civis inocentes atacados pelas autoridades do país dizendo:
"Nós condenamos os ataques e massacres cometidos pelo regime em Damasco, Hama, Idlib, e todas as cidades sírias e vilas."..."estamos empenhados em aliviar o sofrimento do povo sírio. Apelamos a todas as seitas e grupos étnicos minoritários de unir como um só e todos os esforços para deter apresentadas pelo regime de Assad para arrastar o país para uma guerra sem fim civil. Nós, os alauítas sírios, alertamos a todos os nossos irmãos e irmãs na Síria que o Exército de Assad tem usado bairros Alawite dominados em Homs, para lançar seus ataques contra os restantes dos bairros e áreas circundantes.Tem sido assim para provocar uma vingança sectária entre o povo de Homs.
A declaração da comunidade Alawita inesperadamente mais fundo quando disse:

"Além disso, apelamos a todos os soldados militares honrados, diretores, assessores e membros de segurança para desertar do exército destruidor do regime, uma máquina de matar que está destruindo nossa amada nação síria. Nós também chamá-los, para manter-se unida contra este regime antipatriótico que promove disputas sectárias e regionais em sua tentativa de dividir a Síria."

Em seguida a declaração dos líderes alawitas condenou o que chamou de "atitude irresponsável" do regime russo, responsabilizando-o absolutamente pela morte de "cada criança, mulher e homem assassinado por suas balas e armas."

Finalizando, a declaração revela o "apoio público e incondicional dos revolucionários da Síria", também a "denúncia pública" dos criminosos que estão governando a Síria independente de "suas motivações e desculpas." Os Alawitas ainda tornaram público seu "apoio incondicional do povo sírio e se manifesta contra qualquer um que "incentiva o assassinato dos civis desarmados" acrescentando que "eles são os verdadeiros inimigos da Síria, independentemente de sua seita."

Esta contundente declaração contou com as assinaturas das seguintes personalidades:

D. Tomader Abdullah

D. Reconciliar mínimo

D. Rami Hussein

Rasha Omran

Nizar Hammoud

A luta das Profundezas

Vagas advogado Riad Khalil

Adel Mahfouz

Artista Louise Karim

Cantor Reem Ali

Yamen Hussein

Fuad Mulla

Abdulkarim Ali

Fayek al-Mir

Firas Saad

Ola Ramadan

Maher Ibrahim

Diversão e vontade

Ninar bom

Sarah Saleh

Ali Badria

Ali Abboud

Rami Kusa

Senhor Bom

Soldado Ghias

Raghida Hussein

Rowan Massoud

Secretário do nascimento de

Nazir Ali Ali

Suhair Al Asmar

Khaldoun Al-Ibrahim

Mahmoud Salman

Mahmoud Abdullah

Nomes Ammar

Susan Salloum

Tamim Ahmed

Ahmed Ahmed M.

Shaaban, vontade

Suleiman Ali

Hossam e S

Mohammed Habib

Nidal Saeed

Maher Ismail

Bênçãos Beautiful

Nidal Salameh Q

Ruba Haddad

Adel Saud

Abeer MohammedNahla Abbas

Síria relembra Massacre de Hama em 1982 - Homenagem aos 40 Mil mortos.

O mês de Fevereiro marca o 30º aniversário do massacre de Hama. Uma data cheia de números tristes, cheia de números estatísticos absurdos. Data esta marcada pela impunidade, abuso de poder, corrupção e limpeza étnica.

Foto arquivo: "مجزرة حماة 1982 Hama Massacre"
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 03 de Fevereiro de 2012 - 17h39min.
Atualização: 20h21min.

Quando o mês de fevereiro inicia, as lembranças começam a fervilhar na memória do povo que vive nas cidades sírias de Homs e Hama. 1982 é o ano que assinou a rejeição definitiva do regime Al-Assad como sendo alternativa de vida para o povo da Síria.

As memórias são amargas e a ausência de pelo menos 60.000 parentes, amigos vizinhos e familiares é sentida até hoje, mesmo que as autoridades internacionais não reconheçam este número como oficial.

Testemunhas que criaram páginas no Facebook em memória daqueles dias tenebrosos, contam que na primeira chacina, 25 corpos foram encontrados na entrada da Mesquita de Al-Masaud. A maioria das pessoas estavam com roupas de dormir e todas tinham seus membros brutalmente arrancados.Uma testemunha que escreveu seu testemunho na página "Hama Massacre en 1982" contou que ao ter se deparado com os 25 corpos, a sensação que teve é que a visão era tão aterradora que "até as pedras chorariam". Atônitos, os poucos moradores que se aproximaram dos corpos ficaram tempo suficiente para ver a equipe de limpeza urbana recolher as partes dos corpos para serem levadas como lixo. Ninguém nunca soube do paradeiro daqueles corpos.

Outras tristes lembranças testemunhadas nas páginas do Facebook, foram as prisões improvisadas pelo regime sírio, que na época era comandada pelo então presidente Hafez Assad, pai de Bashar Al-Assad. O ditadro esteve no poder desde 1948 até 2000, quando veio a falecer diversos problemas de saúde.

De acordo com relatórios, mais de 10% da população de Hama foi executada
pelo exército sírio em 1982. Fonte:
"Coordenação da Revolução Síria no Brasil الثورة السورية في البرازيل"
Prisões improvisadas - Olarias

As massivas prisões de manifestantes não foram adotadas nem criadas no regime Al-Assad. Elas estavam presente em todas as histórias de manifestações populares em consequência dos 48 anos de vigência da Lei de Emergência, implantada por Hafez Assad, depois que assumiu o governo e descumpriu todas as promessas de campanha nos 3 primeiros meses no poder. As prisões aleatórias e massivas eram tão absurdas que não haviam locais suficientemente espaçosos para se deter manifestantes. Por esta razão, lugares estranhos eram adotados como espécie de campos de concentração. Entre os lugares inéditos, as Olarias eram as preferidas do regime. Depoimentos registrados na página "Hama Massacre en 1982" conta que as detenções nas olarias eram muito "miseráveis". O exército mantinha os prisioneiros de consciência concentrados na parte aberta das antigas fábricas de vasos de porcelana. Lá, ao relento, sujeitos ao pesado inverno sírio e ás chuvas e ao calor, eram mantidos sem água ou comida. Normalmente os "interrogatórios" ao estilo medieval terminavam em cadáveres que eram lançados nas fornalhas ardentes das olarias.

Prisões improvisadas - Hospital Nacional

Os testemunhos das barbaridades do regime de Hafez Assad contam que no Hospital Nacional, os corpos eram amontoados uns sobre os outros. Haviam muitos corpos mutilados, perfurados ou mesmo amassados. Literalmente um monte de carne humana em decomposição. Testemunhas contam que o cheiro fétido dominava  a construção. A página "Hama Massacre en 1982" conta que pilhas de corpos eram levados para o Hospital Nacional diariamente por caminhões que antes eram utilizados para transportar carvão. Testemunhas oculares contaram para o administrador da página que esquadrões da morte já aguardavam os feridos chegarem portando facas e facões para mutilá-los e finalizá-los rapidamente. Para completar o elevado volume de mortos, o Hospital Nacional funcionava ao lado de um colégio secundário, que eventualmente foi ocupado pelo exército e seus estudantes convertidos em vítimas do massacre. Além destes lugares já citados, os estádios esportivos já eram largamente explorados como grandes centros de concentração e tortura do regime.

Bombardeios

O cenário de destruição estava por todas as partes da cidade. Não só prédios inteiros destruídos, como vilas, aldeias e o grande centro urbano de Hama. Sob a liderança da Irmandade Muçulmana, a revolução armada contra Hafez Assad estava escapando por entre os dedos como areia fina do deserto.




Mortes em massa

As invasões de residências eram diárias e perguntas não-respondidas eram compensadas com a morte. Depoimentos de sobreviventes que contaram que os homens de todas as famílias eram os mais procurados, sendo que a maioria das famílias de Hama perderam quase todos os seus homens. Há famílias citadas na página "Hama Massacre en 1982" que chegaram a perder 20 homens.

Há uma história contada pela página que 40 mulheres com suas crianças estavam se escondendo dos bombardeios numa clínica clandestina que funcionava numa cratera numa parede de um edifício moderno na época. De acordo com a fonte, para que as mulheres conseguissem chegar neste local precisaram pular as janelas, depois que bombardeios destruíram a passagem. Testemunhas contaram que o local foi descoberto pelos soldados que entraram e fuzilaram todas as mulheres e crianças. Contam que várias mulheres ficaram sangrando por muito tempo até que morreram, mas uma criança sobreviveu sobre o corpo de sua mãe, porque ela bebia o sangue materno que emanava de seu seio. Dias depois os corpos foram encontrados e o bebê foi achado com vida, apesar da saúde prejudicada.

Video: Entrevista da Aljazeera com Robert Fisk - Um dos poucos jornalistas profissionais que conseguiram entrar na Síria durante o massacre de 1982.



Estatísticas não oficiais

De acordo com relatórios da revolução e dos familiares que choram até hoje, os números de 10.000 mortos anunciados pelas Nações Unidas passam longe da realidade. O detalhe é que mesmo com números oficiais tão elevados, Hafez Assad nunca foi penalizado por seus crimes tão hediondos.

De acordo com a ativista Mai Atassi, os números não-confirmados pela comunidade internacional são:

  • 40.000 Civis mortos
  • 60.000 Detentos
  • 5.000 Sem-teto
  • 100.000 Deslocados
  • 15.000 Desaparecidos até os dias de hoje.
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Síria: Manifestação no aeroporto de Damasco, resistência apesar das mortes no país.

A revolução síria vem crescendo dia após dia, apesar do esforço do regime de dizimar a toda a oposição. Depois da tentativa que parece ter fracassado na última semana de limpar Damasco dos focos de rebelião, manifestantes marcham pelo fim do regime em pleno Aeroporto Internacional, no coração da Síria.

Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 3 de Fevereiro de 2011 - 11h42min.

Nas últimas 2 semanas, Damasco tem sido o novo palco dos mais violentos combates entre oposição ao regime de Bashar Al-Assad e as forças que o defendem. O bairro de Goutha tem vivenciado os maiores massacres com abuso de poder armado das forças leais a Al-Assad.

Assim como a revolução está no caminho da carreira política de Al-Assad, o aeroporto de Damasco está no caminho das demonstrações pelo fim do regime autocrata que já perdura por quase 50 anos, utilizando estratégias e politicas comunistas, num país tradicionalmente árabe. A manifestação que partiu da Mesquita de Sabá contou com apoio de moradores de Damasco e Hama.


Mas o povo sírio se pôs no caminho da ditadura militar e pretende levar adiante sua proposta de dar fim aos planos futuros do regime, condenado Al-Assad à forca, formando uma nova constituição com aprovação popular e elegendo um novo governo democrático. 

Outra manifestação saiu da Grande Mesquita de Hama levando o povo de Erbeen a pedir unanimemente o fim do regime de Al-Assad, sob o comando do partido Ba'ath, o único no poder há 50 anos. Enquanto os manifestantes se expressam publicamente, a Revolução alerta para atividades militares acontecendo no telhado do Ediffício Guenasat e na área de Humera.

Mas a chegada de grande número de soldados deixou os manifestantes de Hama procupados com os acontecimentos seguintes, e ao soar do primeiro tiro a majestosa manifestação se dispersou.

A sexta-feira, que é o dia oficial dos protestos no mundo árabe começou com um número crescente de manifestantes mortos, além do combate intermitente entre as forças pró-Assad e as forças rebeldes. Para todos os efeitos, as autoridades internacionais ainda não anunciaram oficialmente que a Síria vive hoje um estado de gerra civil. Mas se não acontece, está às margens. Só em Daria, na cidade de Damasco pelo menos 5 pessoas morreram e entre elas podem haver dissidentes. Em Aleppo muitos feridos e mortos, depois de ataque a tiros contra massiva manifestação . Há cerca de 5 minutos chegou a notícia de que mais de 200 manifestantes sitiaram o hospital para protestar contra os massacres.

A Coordenação da Revolução Síria no Brasil تنسيقية الثورة السورية في البرازيل disse nesta sexta que a estratégia síria para negociar ou resgatar os soldados regulares feitos reféns pelo Exército Livre, esta sendo por meio da oferta de troca entre meninas sírias (sequestradas aleatoriamente) e os soldados presos.


Neste tempo em Rastan e Homs novos rachas contribuem para o engrossamento das fileiras do Exército Livre, com a adesão á rebelião fortalecida com a chegada de 1 oficial superior da Aeronáutica, o Coronel Saad Eddin.

China: Wucan: Revolta e ocupação: é a "Tunísia" para o povo chinês.

Revolta popular na China. Uma aldeia ocupa as ruas e bloqueia o acesso das forças policiais. 100% da população sai para protestar contra corrupção política local. Este evento inédito já se tornou uma referência em movimentos populares no país.

Mapa de Wu Kan - Googlemaps
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 18 de Dezembro de 2011 - 09h07min.

Wucan é uma pequena aldeia a 700 Quilômetros de Wuchang, ao Norte do Mar da China. A região alagada que sobrevive do cultivo do arroz, tem cerca de 20 Mil habitantes e esta pequena população de agricultores  reclamou que vem perdendo espaço velozmente por causa de esquemas de corrupção no governo local, que tem favorecido a compra ilegal de áreas de plantio e a desapropriação das terras dos moradores da Aldeia, levando o progresso a cada vez mais sufocar a região.

Por causa dos crescentes protestos contra a redução da faixa de arrozais, a polícia foi até a aldeia e prendeu um manifestante, que veio a morrer no terceiro dia na prisão, de acordo com a Reuters/China Times, esta morte teria provocado uma grande revolta popular, ao ponto de as forças policiais sitiarem a região por completo.

Em resposta à opressão, Wukan se revoltou. 100% da população local interrompeu suas atividades e sentou nas praças e passou a fazer protestos diante do cordão de isolamento militar no entorno da aldeia.

Malcom More, o jornalista correspondente do jornal ucraniano "The Telegraph" desde 2008, disse na última quarta (dia 14) que a polícia abriu um inquérito para descobrir os líderes do movimento que levou 100% da população para as ruas, tornando este ato inédito no país de história milenar de repressão, que ainda é comunista tradicional.

Governo corre para perseguir os microblogs e isolar o país da internet,
principalmente das redes sociais - "Snapshot"
Opressão e bloqueio

Sitiada a aldeia parece só contar com o jornalista Malcom More para que o mundo tenha noção do que acontece na região e buscar meios de protegê-los.

Segundo a fonte, a liderança da revolta está por conta do Partido WuKan, mas disse que muitos membros da liderança do partido fugiram da aldeia, enquanto que a população literalmente ocupou a região e impediu o acesso da polícia. De acordo com fontes chinesas, a população de Wukan tem o controle total da área.

disse que em resposta, a polícia se retirou. recuou cerca de 3 quilômetros, optando pelo bloqueio dos acessos, impedindo a entrada de qualquer tipo de suprimento alimento ou água.  Malcom tweetou no dia 14/12 à noite que a população tem reservas de comida para pouco mais de 10 dias e destacou em uma matéria publicada pelo "The Telegraph" que a situação é de uma "revolta é aberta".


Ferramenta da revolução


Os chineses do "Movimento Xinhai de 19 de Novembro de 2011" têm utilizado as redes sociais que usam as tecnologias de "microblogs", a exemplo do tweeter para conversar via celular, uma vez que o governo chinês implantou uma série de bloqueios de acesso à internet, intensificou a vigilância e o controle das conversas pelas redes sociais, bem como a proibição de Facebook e Twiter e limitou o alcance da internet como um todo.

A "Aljazeera" disse que o microblog "Weibo Sina" tem sido uma grande dor de cabeça na vida do regime chinês, uma vez que o controle de trilhões de mensagens de 140 caracteres são enviados ao mesmo tempo, o controle e a fiscalização tornou-se quase impossível. Mas garante que de acordo com a conversa, o usuário destas ferramentas sociais podem ser "responsabilizados legalmente" por atos de incitação etc. Para este fim, a Aljazeera contou que o governo chinês anunciou um prazo máximo de 3 meses para que todos os usuários de microblogs mudem seis "apelidos" para "nomes reais", sujeito a penalidades, no caso de desobediência.

Há notícia de pelo menos 1 perfil de usuário da rede social "Weibo" foi deletado, por "promover a agitação popular local".

Visão popular chinesa


Por meio de diversos sites, depoimentos em artigos e microblogs, os chineses têm deixado transparecer suas opiniões com relação a ocupação popular de Wukan. Muitos acreditam que o caso é muito interessante e marcante, ao olhos da revolução chinesa, que só existe no sonho da juventude (por enquanto), mas eles dizem que este caso é isolado e apesar de influenciar e servir como referência, e até mesmo para estudar as reações militares, não haverá uma "contaminação nacional" de revolta.

Um internauta anônimo, acha que a revolução deveria "infectar" outras aldeias em protesto contra a corrupção e aumentar a força do movimento.

História de Isolamento

Historiadores lembram que a estratégia de isolar uma cidade chinesa e esperar que morra de fome e sede, foi utilizada pelas forças policias do governo chinês, o LPA (Exército Popular da Libertação) em 23 de Maio de 1948 na cidade de Changchun. Até o final do isolamento, mais de 150.000 corpos foram contados, de uma população de cerca de 300.000. Esta tática foi utilizada durante a guerra civil contra os nacionalistas chineses do partido KMT.


Video: Centro urbano de Wucan


Reportagem local em inglês.

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