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Síria: Manifestação no aeroporto de Damasco, resistência apesar das mortes no país.

A revolução síria vem crescendo dia após dia, apesar do esforço do regime de dizimar a toda a oposição. Depois da tentativa que parece ter fracassado na última semana de limpar Damasco dos focos de rebelião, manifestantes marcham pelo fim do regime em pleno Aeroporto Internacional, no coração da Síria.

Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 3 de Fevereiro de 2011 - 11h42min.

Nas últimas 2 semanas, Damasco tem sido o novo palco dos mais violentos combates entre oposição ao regime de Bashar Al-Assad e as forças que o defendem. O bairro de Goutha tem vivenciado os maiores massacres com abuso de poder armado das forças leais a Al-Assad.

Assim como a revolução está no caminho da carreira política de Al-Assad, o aeroporto de Damasco está no caminho das demonstrações pelo fim do regime autocrata que já perdura por quase 50 anos, utilizando estratégias e politicas comunistas, num país tradicionalmente árabe. A manifestação que partiu da Mesquita de Sabá contou com apoio de moradores de Damasco e Hama.


Mas o povo sírio se pôs no caminho da ditadura militar e pretende levar adiante sua proposta de dar fim aos planos futuros do regime, condenado Al-Assad à forca, formando uma nova constituição com aprovação popular e elegendo um novo governo democrático. 

Outra manifestação saiu da Grande Mesquita de Hama levando o povo de Erbeen a pedir unanimemente o fim do regime de Al-Assad, sob o comando do partido Ba'ath, o único no poder há 50 anos. Enquanto os manifestantes se expressam publicamente, a Revolução alerta para atividades militares acontecendo no telhado do Ediffício Guenasat e na área de Humera.

Mas a chegada de grande número de soldados deixou os manifestantes de Hama procupados com os acontecimentos seguintes, e ao soar do primeiro tiro a majestosa manifestação se dispersou.

A sexta-feira, que é o dia oficial dos protestos no mundo árabe começou com um número crescente de manifestantes mortos, além do combate intermitente entre as forças pró-Assad e as forças rebeldes. Para todos os efeitos, as autoridades internacionais ainda não anunciaram oficialmente que a Síria vive hoje um estado de gerra civil. Mas se não acontece, está às margens. Só em Daria, na cidade de Damasco pelo menos 5 pessoas morreram e entre elas podem haver dissidentes. Em Aleppo muitos feridos e mortos, depois de ataque a tiros contra massiva manifestação . Há cerca de 5 minutos chegou a notícia de que mais de 200 manifestantes sitiaram o hospital para protestar contra os massacres.

Coordenação da Revolução Síria no Brasil تنسيقية الثورة السورية في البرازيل disse nesta sexta que a estratégia síria para negociar ou resgatar os soldados regulares feitos reféns pelo Exército Livre, esta sendo por meio da oferta de troca entre meninas sírias (sequestradas aleatoriamente) e os soldados presos.


Neste tempo em Rastan e Homs novos rachas contribuem para o engrossamento das fileiras do Exército Livre, com a adesão á rebelião fortalecida com a chegada de 1 oficial superior da Aeronáutica, o Coronel Saad Eddin.

Contradição: EUA lidera pacto para a nova internet sem democracia.

A ditadura na internet já é uma realidade. Um remédio amargo para reverter programas de "inclusão digital" e incentivo à "liberdade de expressão", desde o lançamento dos "Blogs" até a dispensa de diploma universitário para jornalistas. O esforço internacional para reaver o controle das massas? 

Foto "Saulo Valley".
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 02 de Favereiro de 2012 - 09h42min.

Quando se trata de democracia, a bandeira americana é a primeira a ser levantada. Apesar do poderoso marketing, a América não é símbolo de democracia aliás, na maioria dos casos ela age com autoridade de uma ditadura, quando se trata da "defesa dos intreresses da América". Neste contexto estranho e confuso, queremos saber como será a nova internet, cercada de proibições, limitações e obrigações, além de privações ao direito de se manter anônimo em conexão com milhares de estranhos on-line de todo o mundo.

Numa era em que o hackerismo é um mal cada vez mais praticado, usuários de internet vivem sendo pesadamente atacados, levando tensão para os internautas de plantão, que passam muito tempo preocupados com a proteção de seus dados pessoais, que podem ser duplicados, desviados, explorados ou utilizados para atrair ladrões, sequestradores, assassinos... e agora governos.

Antes da implantação de todos os novos protocolos de direitos autorais assinados secretamente por diversos países, apenas as polícias federais ainda tinham acesso aos dados pessoais de endereços IPs de usuários. Com a implantação de protocolos como a ACTA, ainda a nada saborosa SOPA e a pouco divertida PIPA, todos os governos, ditaduras e empresas em geral terão direito de acesso a esses dados. Isto nos faz pensar que o primeiro que tentar protestar, ou expressar qualquer insatisfação contra a corrupção em seu país por exemplo, poderá ser acusado, condenado e até executado por crimes contra o Estado, como acontece hoje na China e em vários países árabes.

Uma das perguntas que me faço é: Se estes protocolos são bons e democráticos, porque sempre são discutidos, confeccionados e aprovados secretamente? Porque os EUA estão sempre na liderança destas novas regras?

É claro que um dos países que mais distribui conteúdo com direitos autorais atrelados no planeta é a América. Então talvez por esta razão ela seja tão radical, porque se trata da defesa dos seus próprios interesses. Significa que se todas as regras propostas forem mesmo aderidas por todos os países do mundo, a internet será utilizada apenas para fins de entretenimento e se as pessoas quiserem conversar algo pessoal deverão utilizar os correios, que aliás, parece ser o único meio de comunicação que ainda não teve sua privacidade 100% quebrada pelas autoridades internacionais.

Apesar de não parecer, tenho larga expériência com direitos autorais. Sou autor de mais de 5000 músicas e tive mais de 400 criações gravadas e interpretadas no Brasil e em alguns outros países. Depois de duas décadas vivendo exclusivamente de direito autoral, me vi completamente lesado de meus direitos, uma vez que no Brasil a maioria das emissoras de rádio e televisão pertencem a deputados federais, senadores... etc.

Homens poderosos politicamente que são capazes de se negar a pagar os direitos de execussão e nada lhes acontece. Quando são processados, utilizam esquemas e acordos bilaterais que silenciam instituições, justiça e órgãos que supostamente deveriam sair em defesa dos direitos da parte dos proprietários da propriedade intelectual das obras.

Então, quando vejo que empresas americanas espalhadas pelo mundo começam a brigar por seus royalts, não consigo me encontrar protegido por esta iniciativa. Não me vejo protegido por nenhuma ferramenta de internet e nenhum protocolo. Só sei que milhares de milhares de reais por ano que deveriam ser pagos a grandes autores acabam nas mãos de grandes empresas e poderosos empresários. Os mesmos de sempre.

Revoltado, depois de 20 anos de luta pela transparência na administração dos direitos autorais no Brasil, decidi escrever em um blog, minhas queixas contra os esquemas por trás das lindas propagandas governistas. Mas agora, sem os meus respectivos direitos autorais depositados na minha conta bancária, ainda tenho que me silenciar mediante a adoção de protocolos nas redes sociais que proibem palavras, vetam frases e o direito ao anonimato, em caso de denúncias de corrupção política, policial a nível, municipal, estadual, federal e global.

Enquanto na última década as autoridades internacionais decidiram que estimular o uso da internet, que fazia parte de um programa de valorização aos direitos humanos, a nova década vem com a novidade da supressão, classificação e manipulação destes usuários ou seja, a internet se tornou uma grande armadilha social, para vincular, controlar e vigiar todos os habitantes do planeta.

Programas de "Inclusão Digital" são impostos pelas Nações Unidas para todos os países-membros, mas o que as Nações Unidas dizem sobre estes novos protocolos? Será que os governos entenderam que a "inclusão digital" é uma rajada de metralhadora no próprio pé?

2011 o ano da multiplicação global dos "Anônimous" - Foto "Saulo Valley".
Ah! já ia me esquecendo: Qual foi o país que mais sofreu em 2011 com usuários "Anonymous"?

A nova internet segue padrões chineses no controle da identidade obrigatória de todos os usuários de redes sociais, inclusive de microblogs. Seguindo a linha da Sina-Weibo, o Twitter, o Google+, o Facebook entre outros já estão impedindo a criação de perfis sem a exibição do nome real do usuário, ainda utilizam outras ferramentas que relacionam todas as suas contas de e-mail, todos os seus amigos de escola, trabalho, vizinhos e parentes. Um prato cheio para suprimir manifestações populares, ameaçar e atacar líderes de movimentos populares e outras liberdades de expressão antes defendidas pelas Nações Unidas.

A Síria por exemplo, em 2011 matou no mínimo duas centenas de ativistas e seus familiares foram presos, torturados e executados, quando não puderam encontra-los. Até os cartoons, que eram largamente utilizados como forma "silenciosa" de expressão contra corrupção política em especial, foram proibidos na China, depois de amplamente utilizados na web. Agora só falta a proibição do aprendizado, da escrita e das conversas em grupo; ajuntamentos de mais de 6 pessoas que aliás são poibidos nas ruas e praças chinesas.

Como disse no início deste post: Os Estados Unidos torna-se ditadura quando se trata dos "interesses da América". Agora vem a nova pergunta; O que será do povo árabe, africano, chinês, cubano, venezuelano, russo, iraniano em especial, depois de se virem completamente despidos diante dos Serviços de Inteligência de seus países?

Todos eles utilizam a internet e saem às ruas para protestar contra suas misérias e privações. Se estes novos recursos são realmente favoráveis aos interesses gerais, o que será feito para proteger organizações não governamentais de direitos humanos, pacifistas, ativistas e jornalistas?

Síria: Tempo de cessar o tempo de violência e as Redes sociais sob pressão.

As pressões internacionais pelo fim da violência recomeçam, depois que a Liga Árabe , representada pelo Dr. Nabil Al-Arabi pediu ao presidente sírio Bashar Al-Assad a demitir-se. Observando o crescente derramamento de sangue no país, por iniciativa do próprio governo, o mundo urge pelo fim do massacre.

Cortesia: "Syria Cartoons"
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 01 de Fevereiro de 2012 - 09h35min.

De acordo com o Observatório para os Direitos Humanos das Nações Unidas, que disse que ontem (31-Jan) Hillary Clinton pediu às Nações Unidas para apoiar o projeto da Liga árabe que pede a saída de Bashar Al-Assad. Enquanto isso o veto russo contra as sanções do projeto de resolução aprovado em meados do ano passado, ainda continua valendo para todos os efeitos e ações das Nações Unidas. Por esta razão o diretor executivo do Observatório das Nações Unidas Hillel Neuer foi citado pela UNWatch como dizendo:

"É hora de Moscovo a entender que nem mesmo o inverno russo pode congelar Primavera Árabe da Síria", Hillel Neuer, diretor executivo da UN Watch, disse em um comunicado.


A resposta russa para as pressões foi publicada pela Reuters que citou o alto funcionário russo Vladimir Chizhov como dizendo que o projeto de resolução árabe apoiado pelas Nações Unidas não faz qualquer menção para citar ou não se haverá intervenção militar no país. Para Moscow, sem a menção clara de que não haverá uma intervenção militar na Síria no projeto, "falta a coisa mais importante", o que torna este projeto impossível de ser a aprovado.

Ao passo que as pressões internacionais vão crescendo para acelerar o processo de pacificação da Síria, as autoridades dos países em crise ou com ameaças de revolução popular, tem pressionado as empresas de internet, em especial as redes sociais, para ter controle absoluto sobre dados pessoais de cada perfil criado, impedindo apelidos e profiles sem dados pessoas completos. Esta pressão está surtindo mais efeito que as pressões para o fim do derramamento de sangue de manifestantes no mundo árabe. Até o final de 2012, será difícil um usuário de internet se manter no anonimato. O Google e o Facebook tem seguido a receita do microblogging chinês Sina-Weibo, que obrigado pelo governo, não cadastra mais usuários com apelidos ao invés de nomes-próprios e deu prazo de 30 dias para que todos os usuários troquem seus apelidos por nomes próprios e prencha todas as exigências cadastrais, antes ignoradas.

Outra pressão forte que tem surtido efeito para manipular e silenciar as primaveras por todo o mundo é o bloqueio e controle do texto redigido nos microblogs. A exemplo da rede social chinesa, agora o Twitter deverá bloquear palavras ou frases que liguem à críticas contra governos e Estados, bem como palavras que possam ser interpretadas como "incitações contra o Estado". Esta nova regra obedecerá as leis vigentes em cada país, para a garantia do funcionamento destes sites no mundo.

Ao meu ver, na prática os presidentes e reis continuam e continuarão com poder absoluto no planeta e o povo tem sido mantido em nível bastante baixo de significancia, a não ser pelo interesse nas possibilidades de consumo dos produtos propostos por empresas e governos.

Relatório do dia 01-02-2012

A Coordenação de Locais da Síria enviou relatórios sobre as mortes na primeira metade do dia:

De acordo com a fonte, 43 pessoas foram mortas na primeira metade do dia pelo exército e milícias do regime sírio:

  • 6 soldados dissidentes afiliados ao Exército Livre
  • 1 mulher e seus 2 filhos
  • 21 civis mortos no Vale de Barada (Damasco)
  • 11 em Homs
  • 4 em Bdraa oriental
  • 3 e dois bairros do subúrbios de Damasco, em Erbeen e Moadamieh.
  • 3 em Idlib
  • 1 em Qamishli

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