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Síria: Há pelo menos 30 dias 49 corpos apodrecem nas ruas.

O regime sírio se utilizou desta tática para humilhar o povo sírio nos meados de 2011. Dezenas de corpos em decomposição deixados nas ruas de diversas cidades do país. Agora uma nova denúncia enviada por pessoas que não conseguem resgatar os corpos de seus parentes das linhas de tiro dos franco-atiradores.

Manifestantes tentando resgatar o corpo do amigo, tenta fugir
dos tiros do sniper - 21-05-2011
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 25 de Abril de 2011 - 17h29 GMT-3

A situação é dramática. O mau cheiro e a propagação de doenças é uma realidade. No mês de Maio, as temperaturas sobem na Síria, fazendo exalar do asfalto quente um cheiro insuportável de corpos apodrecidos.

A dor das famílias que não conseguem resgatar os corpos de seus entes queridos por causa dos atentos e maliciosos atiradores de elite, que instalados em posições estratégicas, utilizam os mortos como iscas para atrair parentes e amigos para suas alças de mira.

Ativistas em Homs denunciam que um jovem chamado Ibrahim Omar, foi morto por um dos atiradores sírios e deixado como isca numa via pública de Baba Draid. Assim como o rapaz, ativistas denunciam que há vários outros corpos que apodrecem nas há pelo menos 30 dias. Ainda em Baba Draid, na altura de um Jardim de Infância, 4 corpos estão apodrecendo há 28 dias.

Mas a visão mais violenta que um ser humano pode ter, está localizada na entrada do Hospital Nacional. Exatamente 45 corpos amontoados apodrecem há 50 dias e não há quem possa retirá-los de lá! Os ativistas dizem que a maioria dos corpos foram de vítimas dos bombardeios constantes que caem sobre a cidade de Homs.

Rindo da fragilidade do povo sírio e zombando da burocracia internacional, Al-Assad utiliza corpos como ferramenta para humilhação e tortura psicológica do povo rebelado contra o sistema opressor. Uma estratégia de guerra das mais sujas.

Há relatos de corpos mutilados ou de partes de corpos deixados nas ruas, dando prosseguimento à mesma estratégia praticada no ano passado na mesma época, quando mostramos que muitos corpos (ou parte deles) eram jogados nos lixos deixados nas esquinas, à espera da coleta que (por ordem do regime) não passa na maioria das cidades rebeldes.

O que as autoridades internacionais farão à respeito? Crescente Vermelho ou a Cruz Vermelha não deveriam estar sendo ativados agora?

Mais mortes

A agência síria Ugarit divulgou um breve relatório informando que nesta quarta-feira 79 civis foram mortos pelo regime sírio e pelo menos 57 das vítimas foram assassinadas em Hama, na região de Al-masha.

Syria: Snipers usam silenciadores para driblar Observadores.

A missão dos Observadores na Síria vem sendo minada pelo próprio regime sírio. Independente dos intensos esforços do regime para sabotar a missão, é relevante perceber que são 30 observadores para cobrir 1000 cidades, vilas e aldeias, além de uma média diária de 770 manifestações populares simultâneas em todo o país.


Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 22 de Abril de 2012 - 22h10 GMT-3

Os silenciadores são as novas armas do regime sírio. Nos bairros do subúrbios de Douma, tem sido notado o uso abrangente da tecnologia, por parte do regime sírio,  para continuar matando a população de Homs em especial. Apesar do assunto estar sendo levantado agora, a agência síria rebelde "Ugarit News" fez a primeira abordagem ainda no período em que a Liga Árabe tentava uma pacificação no conflito entre o regime e a oposição, o que foi um verdadeiro fracasso.

Na mesma linha, as Nações Unidas agora encontram as mesmas dificuldades de tentar seguir o protocolo, enquanto esforça-se para que a missão de paz tenha sucesso, mas como hoje publicamos, os Observadores estão sendo alvejados por atiradores do regime sírio instalados nos telhados dos prédios.

Ocupação militar do Hospital de Homs para impedir socorro à população.
Outra informação que deixa clara a intenção do regime de continuar o massacre, é a ocupação do hospital militar em Homs, instalando atiradores no telhado e um grande aparato de guerra. A intenção da ocupação é impedir que a população tenha o direito ao atendimento médico, enquanto continuam sendo perseguidos e executados pelas tropas do exército sírio e pelas forças de segurança. Os sobreviventes são impedidos de ser atendidos, parta que não sirvam de testemunhas contra Al-Assad.

Continua...


HOMS: SNIPERS atiram em observadores e regime esconde tanques nos colégios.

A situação parece uma brincadeira de gato e rato. De um lado o ditador genocida Bashar Al-Assad. De outro, as Nações Unidas representada pelos Observadores Internacionais implantados no país para verificar e garantir o acordo do cessar-fogo ora firmado entre as partes. Na prática, os Observadores estão deixando de enxergar massacres realizados quase que diante de seus olhos.

Enquanto acompanhava os Observadores, o dissidente 1º Tenente Abdul Razzaq Talas
é recebido como herói, por dedicar-se a proteger as mães de Homs, do regime sírio.
"Snapshot"
Por Saulo Valley - Rio de Janeiro, 23 de Abril de 2012 - 07h34 GMT-3

Homs é a região mais atacada pelo regime sírio por meio de bombardeios incessantes, invasões nas residências seguidas de prisões aleatórias, torturas e mutilações até a morte. Coincidentemente é o lugar escolhido como base dos Observadores Internacionais. Como pode um Observador assinar um relatório afirmando que em Homs: "Está tudo em paz" ou "Nada anormal"?

Foi relatado neste fim de semana que os Observadores decidiram se hospedar no mesmo hotel na cidade. Isto facilitaria o encontro do grupo ao final do dia para discutir os acontecimentos e para a formulação do relatório, e receber novas instruções para o dia seguinte. Contam os populares que assim que os observadores deixavam a região visitada para retornar à base improvisada no hotel, os bombardeios re-iniciavam e os tanques voltavam às ruas destruindo e matando tudo o que encontrava.

Por estas denúncias, o líder dos Observadores decidiu deixar 2 especialistas definitivamente instalados na cidade. Com isto, os populares passaram a se sentir mais seguros um pouquinho.


Mas a rotina destes profissionais não é simples. Enquanto percorrem as ruas de carro, são acompanhados por uma gigantesca nuvem de testemunhas oculares. Uma verdadeira procissão, em que a maioria que contar um fato que considera importante aos olheiros internacionais. A verdade é que há um  forte esquema do regime sírio para frustrar esta missão, a exemplo do grande sucesso que obteve na missão enviada anteriormente pela Liga Árabe. A estratégia consiste em dar espaço, mas minar a credibilidade do relatório. para que isto aconteça com sucesso, o serviço secreto sírio infiltra agentes ou partidários de Al-Assad no meio da multidão para dar depoimentos e testemunhos exagerados, ou completamente falsos. Eles ainda fornecem informações contraditórias e aproveitam a oportunidade para vigiar os depoimentos verdadeiros para notificar a fonte e entregá-la ao regime para prestação de contas...

Percorrendo as ruas da cidade cercado de dezenas ou centenas de pessoas falando ao mesmo tempo, contando histórias absurdamente violentas, torna-se difícil dar espaço para que o Observador consiga realizar seu trabalho com clareza.


Video: Enquanto percorria as ruas de Homs no dia 21 de Abril de 2012 (sábado), Observadores sofreram atentados à tiros por sniper acusado de servir ao regime sírio:


Com a volta da velha estratégia de utilizar fotografias e vídeos de outros conflitos em outros países e outras datas, o regime sírio busca confundir as informações até mesmo na internet, na troca de provas entre ativistas online. Nesta sexta eu mesmo identifiquei imagens da guerra do Iraque em 2001 e da revolução Líbia em 2011 como sendo comprovação de massacres realizados pelo exército sírio nesta semana em Homs ou Idlib.

Flagrante: Tanques nas escolas de Homs - cortesia: "Homs: Mãe dos Mártires"
Na corrida contra o tempo, Al-Assad ainda espera resgatar a "tranquilidade" de seu governo impetrando castigo contra a província rebelde de Homs, como meio de cessar a revolução na raiz. Longe de cumprir qualquer tipo de acordo no âmbito internacional, o regime sírio mantém suas tropas nas cidades e seus tanques escondidos nos pátios das escolas, aguardando o retorno dos Observadores para seus respectivos alojamentos, a fim de retornar a busca pelo fim da rejeição ao seu regime que já perdura há 48 anos de corrupção, crueldade e genocídios.

Continua...

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